as mãos
Aqui estão as mãos.
São os mais belos sinais da terra.
Os anjos nascem aqui:
frescos, matinais, quase de orvalho,
de coração alegre e povoado.
Ponho nelas a minha boca,
respiro o sangue, o seu sangue, o seu rumor branco,
aqueço-as por dentro, abandonadas
nas minhas, as pequenas mãos do mundo.
Alguns pensam que são as mãos de deus
- eu sei que são as mãos de um homem,
trémulas barcaças onde a água,
a tristeza e as quatro estações
penetram, indiferentemente.
Não lhes toquem: são amor e bondade.
Mais ainda: cheiram a madressilva.
São o primeiro homem, a primeira mulher.
E amanhece.
Coração Habitado de Eugénio de Andrade, in «Até Amanhã», 1956

As mãos são o instrumento das nossas emoções. Com elas provamos o que sentimos.
El mundo ha sido transformado por las manos. Manos que vienen de Dios, a quien somos semejantes. Las hay de todo tipo; yo prefiero las de amor y esperanza. Gracias por conpartir este poema. Congratulaciones.