Archive for the ‘citações’ Category
quote of the day
também acho que sim
“O esquecimento é um mecanismo fundamental da minha relação com o mundo.”
Pacheco Pereira, no Festival do Clube de Criativos
frase do dia
“Tens uma brancura muito à século XVIII.”
frase(s) do dia
(retirado daqui)
” (…) estás muito requisitada tu.”
” (…) estás a atrair.”
” (…) ui, ui, ui (…)”
Ao que eu respondo:
Não há fartura que não dê em miséria.
[Isto a respeito do pequeno mundo da publicidade, onde é quase tão difícil entrar, como arranjar uma vaga na Nasa]
intransponível, é isso
Não te procurei porque procurar-te me daria a exacta dimensão da tua ausência, poderia vaguear minutos horas, procurar-te quem sabe chamar por ti dizer o teu nome, saberia eu que de pouco me adiantava, seria isto pergunta ou a exacta afirmação de que não te encontras.
Mal tu sabes não tiveste tempo de saber, o que pode ser uma hesitação tão estúpida entre caminhar entre os nossos destroços ou deixar-me ficar
Sentado
Encostado à banca da cozinha
Absorto a acender mil vezes o isqueiro
Reduziste-me afinal a estes passos desencadeados, todas as minhas dúvidas do momento estão aqui, sento-me, levanto-me (…)
(…) falta-me o pormenor que te define mesmo, um detalhe para que sejas absolutamente
exacta, clara
a inveja que tenho de quem sabe traduzir.
Rodrigo Guedes de Carvalho, in A Casa Quieta
(edição Dom Quixote)
[a ler novamente. não há como resistir-lhe]
o tempo

Salvador Dali – pormenor de “A persistência da memória” (1931)
“Perguntei ao tempo, quanto tempo é que o tempo tem. E o tempo respondeu-me que tem tanto tempo, quanto tempo, o tempo tem!”
Chiado, 1 de novembro
“O fogo e o frio moram na música dos Sigur Rós. O silêncio.”
Nuno Galopim sobre Heima (Casa), o novo e primeiro filme/documentário dos Sigur Rós.
as mãos
Aqui estão as mãos.
São os mais belos sinais da terra.
Os anjos nascem aqui:
frescos, matinais, quase de orvalho,
de coração alegre e povoado.
Ponho nelas a minha boca,
respiro o sangue, o seu sangue, o seu rumor branco,
aqueço-as por dentro, abandonadas
nas minhas, as pequenas mãos do mundo.
Alguns pensam que são as mãos de deus
- eu sei que são as mãos de um homem,
trémulas barcaças onde a água,
a tristeza e as quatro estações
penetram, indiferentemente.
Não lhes toquem: são amor e bondade.
Mais ainda: cheiram a madressilva.
São o primeiro homem, a primeira mulher.
E amanhece.
Coração Habitado de Eugénio de Andrade, in «Até Amanhã», 1956
canções de amor
“Ama-me menos, mas por mais tempo.”
sorriso
“Eu viria talvez povoado
hipotéticos fantasmas quem sabe
uma ou outra vingança por consumar
dias em que desocupado
de grandes traições anseios
uma ou outra desgraça
quando te atravessaste
intransponível
nesse caminho que fazia só fazendo
pouco alerta mudo impávido
quando olhava sem bem olhar
via só o que queria
mesmo no que ver me custava acreditar
e foi quando o teu sorriso”
A Casa Quieta (pág.11) – Rodrigo Guedes de Carvalho
